Nesta sexta-feira (16), serão divulgados os resultados do Ideb – Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira –, um termômetro criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para medir a qualidade do ensino público e privado no país.
Os novos dados, coletados em 2021 , devem ser interpretados com muita cautela para não levarem a conclusões enganosas: poderemos ver, por exemplo, casos de estados que, mesmo diante de grandes dificuldades no ensino remoto durante a pandemia, tiveram um salto no Ideb em relação a 2019. Isso significa necessariamente que os alunos aprenderam mais? Não.
Os índices deste ano estão, na verdade, distorcidos, explicam especialistas ouvidos pelo g1: foram colhidos em condições que acabaram “mascarando”, de forma não intencional, o verdadeiro retrato da educação brasileira na pandemia (veja mais abaixo).
Para entender por que isso aconteceu, é preciso saber como o Ideb é calculado. Ele leva em conta dois fatores: a porcentagem de alunos aprovados (ou seja, que não repetiram de ano) e as notas dos estudantes em uma prova chamada Saeb.
Só que, neste ano, esses dois “ingredientes” foram comprometidos, porque:
Como explicado acima, o Ideb considera dois fatores no cálculo, para chegar a um índice de 0 (mínimo de qualidade) a 10 (máximo):
Na pandemia, por recomendação do Conselho Nacional de Educação (CNE), algumas redes adotaram a política de não reprovar ninguém. No caso delas, a taxa de aprovação será, portanto, de 100% (todo mundo passou de ano).
Consequentemente, o Ideb aumentará de forma artificial em relação à série histórica, sem necessariamente indicar uma melhora na educação.
“Outras redes não seguiram a mesma conduta [de aprovar todos], porque já tinham retomado as aulas presenciais. Fica, portanto, mais complicado fazer uma comparação entre estados ou de um ano para o outro”, explica Gabriel Corrêa, líder de políticas educacionais da ONG Todos Pela Educação.
Vitor de Angelo, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), reforça que essas distorções não são intencionais, mas “sujam as amostras estatisticamente”.
“Estados que reabriram as escolas mais cedo, como Pernambuco, São Paulo, Mato Grosso e Espírito Santo, já haviam voltado ao normal nas práticas de reter alunos. As taxas de aprovação deles vão puxar o Ideb para baixo. Não dá para compará-los com aqueles que tiveram aprovação automática”, diz.
Outro fator que interfere no Ideb 2021 é a quantidade de alunos que prestaram o Saeb.
O Inep já divulgou que, na média nacional, 71,3% dos alunos-alvo fizeram a prova em 2021 – em 2019, a taxa foi de 80,99%. Ainda não se sabe quais as porcentagens de cada estado, mas especialistas preveem diferenças significativas entre eles.
Quando a prova foi aplicada, em novembro e dezembro do ano passado, muitas escolas ainda não haviam voltado para o formato 100% presencial. Provavelmente, no caso delas, a adesão ao exame foi menor do que a registrada nos colégios que já estavam funcionando normalmente.
“É complicado comparar uma rede em que 95% dos alunos fizeram a prova com outra em que 50% prestaram o exame. Aqueles alunos que não compareceram tendem a ser os que estavam em maior vulnerabilidade, afastados da escola. Mesmo que de forma não proposital, isso seleciona os alunos participantes e interfere na nota”, explica Gabriel Corrêa.
Ele afirma que, em contextos pré-pandêmicos, os estados registravam porcentagens parecidas de participação, o que facilitava as comparações. Não deve ser o caso de 2021.
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